sábado, 5 de julho de 2014

Uma história para cada fotografia - Parte I

Vintage
 Imagem - We heart it

Eu havia acabado de me mudar. Aquele lugar era lindo. Eu adorava andar em volta daquela lagoa. Várias pessoas conversando, namorando, praticando exercícios físicos. Era aconchegante e me trazia paz. Semanas se passaram e eu fui me adaptando a nova cidade ao novo trabalho. Fazendo novos amigos. As pessoas eram alegres, hospitaleiras, de fácil comunicação. Apaixonante a nova fase da minha vida. E apesar da falta dos velhos amigos e da família, eu estava indo muito bem.

 Como todos os dias acordei às oito da manhã tomei um banho quente e um café da manhã reforçado. Vesti um vestido floral solto e coloquei uma rasteirinha de pedraria, peguei um casaco leve meus livros e sai para o meu primeiro dia no curso de fotografia. E saindo na portaria do meu prédio cumprimentei o porteiro com um sorriso largo entre os lábios pintados com um batom rosa clarinho. Caminhei até o ponto de ônibus pensando em como seria incrível o meu novo curso. 

Como eu fiquei feliz ao me inscrever naquela turma. O nome do professor é Théo Abromovizt e no folheto dizia que é um fotografo renomado e muito talentoso. E foi assim que eu havia me convencido de participar. Desci do ônibus e o ponto ficava bem em frente à escola, não levei nem três minutos e já estava na recepção para perguntar onde ficava a minha sala. A recepcionista me direcionou e completou dizendo que a aula começaria dentro de quinze minutos.

 Então eu me virei para passar o tempo que faltava em uma sala de espera que ficava em frente à recepção. Foi quando eu esbarrei em um cara alto, moreno, magro e com um sorriso lindo. Mas aquele olhar e aquele nariz, eles me lembravam de algo. Quer dizer, alguém. Será que era aluno como eu? Bom, também não importa agora. Ele estava sorrindo pra mim e perguntando se estava tudo bem. Então eu sorri meio sem graça e respondi “estou sim, obrigada”, ele me entregou o livro que havia caído e entrou. Ele seguiu saudando a recepcionista, a quem ele chamava de Anne. E eu tive a certeza de que ele não era mais um estudante e sim algum funcionário daquela escola. 

Esperei mais alguns minutos até que Anne com um sorriso simpático me disse que a aula iria começar. Dirigi-me até o corredor e avistei a minha sala. Incrível todo aquele material, todas aquelas câmeras. Meu Deus, eu estava estonteada. Os alunos iam entrando e se posicionando em seus lugares enquanto eu namorava todo aquele espaço. Até que eu ouvi a voz do professor nos cumprimentando pelo primeiro dia de curso. Então me virei e dei de cara com o mesmo cara que eu havia esbarrado. Era o meu professor, o fotógrafo que eu ouvi  falar tão bem, Théo Abromovizt. 

O dono daquelas fotos que eu estava nitidamente encantada. Não conseguia entender o “por que” daquele misto de surpresa e vergonha. Ele iniciou a aula, vestia uma calça jeans, uma camiseta branca bem básica e um all star preto. O cabelo com um corte moderninho. Todo simpático e atencioso. Mas eu tinha a impressão que ele também havia me reconhecido. Entre uma teoria ou outra e as dicas de como modificar a fotografia só com a abertura do obturador, ele ia fotografando e eu cada vez mais me apaixonando pelo curso.

A aula acabou e eu guardei minhas anotações e estava indo embora. Uma colega de curso veio atrás de mim andando ligeiro e logo perguntou “oi, você está indo para o ponto de ônibus?”, só olhei para ela e confirmei com a cabeça e sorri,“ meu nome é Carolina, mas pode me chamar de Carol” assenti com a cabeça e respondi “ Prazer em conhece-la Carol, meu nome é Mônica”, ela sorriu e perguntou “Posso te acompanhar, sou nova por aqui e não gosto de ficar sozinha”, eu sorri e disse que sim. 

Carolina, ou melhor, Carol falava muito e era difícil participar da conversa, ela preferia fazer um monólogo. Contou sobre seus pais e sua vida na outra cidade, o que tinha levado ela a morar sozinha. Falou também sobre o irmão e seu antigo namorado. “Mônica você não tem um apelido, sei lá, de infância?”, perguntou ela em meio a montanha de informação que me passava. “Na minha casa, entre a minha família e amigos mais próximos me chamam de Nina”, respondi e ela pareceu concordar, logo completou “Nina, gostei! Bem melhor do que falar Mônica o tempo todo. Nada contra o seu nome, mas é que Nina facilita né”, eu apenas sorri e concordei e deixei que ela terminasse a história, quer dizer, as histórias que ela estava me contando. 

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