Imagem - We heart it
Eu havia acabado de me mudar. Aquele lugar era lindo. Eu adorava
andar em volta daquela lagoa. Várias pessoas conversando, namorando, praticando
exercícios físicos. Era aconchegante e me trazia paz. Semanas se passaram e eu
fui me adaptando a nova cidade ao novo trabalho. Fazendo novos amigos. As
pessoas eram alegres, hospitaleiras, de fácil comunicação. Apaixonante a nova
fase da minha vida. E apesar da falta dos velhos amigos e da família, eu estava
indo muito bem.
Como todos os dias acordei às oito da manhã tomei um banho
quente e um café da manhã reforçado. Vesti um vestido floral solto e coloquei
uma rasteirinha de pedraria, peguei um casaco leve meus livros e sai para o meu
primeiro dia no curso de fotografia. E saindo na portaria do meu prédio
cumprimentei o porteiro com um sorriso largo entre os lábios pintados com um
batom rosa clarinho. Caminhei até o ponto de ônibus pensando em como seria
incrível o meu novo curso.
Como eu fiquei feliz ao me inscrever naquela turma.
O nome do professor é Théo Abromovizt e no folheto dizia que é um fotografo
renomado e muito talentoso. E foi assim que eu havia me convencido de
participar. Desci do ônibus e o ponto ficava bem em frente à escola, não levei
nem três minutos e já estava na recepção para perguntar onde ficava a minha
sala. A recepcionista me direcionou e completou dizendo que a aula começaria
dentro de quinze minutos.
Então eu me virei para passar o tempo que faltava em
uma sala de espera que ficava em frente à recepção. Foi quando eu esbarrei em
um cara alto, moreno, magro e com um sorriso lindo. Mas aquele olhar e aquele
nariz, eles me lembravam de algo. Quer dizer, alguém. Será que era aluno
como eu? Bom, também não importa agora. Ele estava sorrindo pra mim e
perguntando se estava tudo bem. Então eu sorri meio sem graça e respondi “estou
sim, obrigada”, ele me entregou o livro que havia caído e entrou. Ele seguiu
saudando a recepcionista, a quem ele chamava de Anne. E eu tive a certeza de
que ele não era mais um estudante e sim algum funcionário daquela escola.
Esperei mais alguns minutos até que Anne com um sorriso simpático me disse que
a aula iria começar. Dirigi-me até o corredor e avistei a minha sala. Incrível
todo aquele material, todas aquelas câmeras. Meu Deus, eu estava estonteada. Os
alunos iam entrando e se posicionando em seus lugares enquanto eu namorava todo
aquele espaço. Até que eu ouvi a voz do professor nos cumprimentando pelo
primeiro dia de curso. Então me virei e dei de cara com o mesmo cara que eu
havia esbarrado. Era o meu professor, o fotógrafo que eu ouvi falar tão bem, Théo Abromovizt.
O dono
daquelas fotos que eu estava nitidamente encantada. Não conseguia entender o “por
que” daquele misto de surpresa e vergonha. Ele iniciou a aula, vestia uma calça
jeans, uma camiseta branca bem básica e um all star preto. O cabelo com um
corte moderninho. Todo simpático e atencioso. Mas eu tinha a impressão que ele
também havia me reconhecido. Entre uma teoria ou outra e as dicas de como
modificar a fotografia só com a abertura do obturador, ele ia fotografando e eu
cada vez mais me apaixonando pelo curso.
A aula acabou e eu guardei minhas
anotações e estava indo embora. Uma colega de curso veio atrás de mim andando
ligeiro e logo perguntou “oi, você está indo para o ponto de ônibus?”, só olhei
para ela e confirmei com a cabeça e sorri,“ meu nome é Carolina, mas pode me
chamar de Carol” assenti com a cabeça e respondi “ Prazer em conhece-la Carol,
meu nome é Mônica”, ela sorriu e perguntou “Posso te acompanhar, sou nova por
aqui e não gosto de ficar sozinha”, eu sorri e disse que sim.
Carolina, ou
melhor, Carol falava muito e era difícil participar da conversa, ela preferia
fazer um monólogo. Contou sobre seus pais e sua vida na outra cidade, o que
tinha levado ela a morar sozinha. Falou também sobre o irmão e seu antigo
namorado. “Mônica você não tem um apelido, sei lá, de infância?”, perguntou ela
em meio a montanha de informação que me passava. “Na minha casa, entre a minha
família e amigos mais próximos me chamam de Nina”, respondi e ela pareceu concordar, logo
completou “Nina, gostei! Bem melhor do que falar Mônica o tempo todo. Nada
contra o seu nome, mas é que Nina facilita né”, eu apenas sorri e concordei e
deixei que ela terminasse a história, quer dizer, as histórias que ela estava
me contando.

Nenhum comentário:
Postar um comentário