quarta-feira, 2 de julho de 2014

O dia que eu ganhei o balde da Malévola.


 

 
Poucas as vezes que você encontra pessoas que parecem ser suas almas gêmeas. E não, eu não estou falando do novo carinha que eu conheci. Elas são malucas e conseguem fazer uma tragédia virar comédia em menos de meio segundo. Parece que nasceram com aquela cara de sapeca. Eu, a que está sempre atrasada. Rosana, a elétrica, não para de falar um segundo. Rayane, a salvadora, a pessoa mais certa das três. O que parece a tarefa mais fácil para os demais, sempre acaba em pequenos desastres para nós. Vou começar a explicar: Ninguém fala ao telefone quando está ao lado da outra pessoa que se faz a chamada, certo? E ninguém resolve subir a escada rolante só para se dar ao luxo de visitar o terraço do shopping. Eu fico imaginando quem é que corre pela praça de alimentação tentando encontrar a escada certa para o cinema. E quando consegue encontrar se decepciona com o tamanho da fila para comprar a pipoca. Enquanto torcemos para a fila andar mais rápido ensaiamos como fazer o pedido e não atrasar para a seção que já começou. “Então gente qual vai ser? ”, eu pergunto, “uma pipoca mega e três refrigerantes médios, com pedras grandes de gelo” a Rosana responde. “Então tudo bem uma pipoca mega, dois refrigerantes com um aicebarg cada e um suco de uva, por que eu quero suco”, falo tentando ser engraçada, mas só quem ri é a Rayane. Juro que e ensaiei isso durante o tempo que permaneci ali, que foram mais ou menos três minutos. Então chegou a nossa vez e sem nem respirar eu dito os pedidos para o atendente em uma velocidade que nem eu mesma acreditei, e ainda acrescentei achando ser a comediante os aicebarg, ao invés de pedir pedras de gelo como uma pessoa normal. Sem dar a menor atenção ao meu desespero ele retribui com um sorriso largo e me diz: “temos o combo com uma pipoca grande e o refrigerante de um litro e meio que vai sair bem mais barato”. Não tinha essa fala no meu ensaio, era pra ser um monologo. “E ai gente, vamos pegar esse combo? ”, e foi quando eu avistei o balde da malévola, sem pestanejar eu pergunto “ o combo vem com o balde da malévola? ”. O atendente riu um pouco mais - com certeza me achando uma retardada mental com problemas de ausência de infância, okay, esse problema eu acabei de inventar - então ele responde “ esse não, o combo com o balde é um pouco mais caro e não é recarregável”. A Rosana se propõe a decidir, como uma mãe bondosa, “ vai moço, pelo amor de Deus, me dá esse balde ai mesmo por que eu já não ia vir aqui recarregar nada mesmo e se essa menina não ganhar esse balde da malévola ela vai morrer”. E foi assim que eu em um surto mental peguei o balde cheio de pipoca e corri para a sala de cinema para assistir ‘A culpa é das estrelas’.


 



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