Poucas as vezes que você encontra
pessoas que parecem ser suas almas gêmeas. E não, eu não estou falando do novo
carinha que eu conheci. Elas são malucas e conseguem fazer uma tragédia virar
comédia em menos de meio segundo. Parece que nasceram com aquela cara de
sapeca. Eu, a que está sempre atrasada. Rosana, a elétrica, não para de falar
um segundo. Rayane, a salvadora, a pessoa mais certa das três. O que parece a
tarefa mais fácil para os demais, sempre acaba em pequenos desastres para nós.
Vou começar a explicar: Ninguém fala ao telefone quando está ao lado da outra
pessoa que se faz a chamada, certo? E ninguém resolve subir a escada rolante só
para se dar ao luxo de visitar o terraço do shopping. Eu fico imaginando quem é
que corre pela praça de alimentação tentando encontrar a escada certa para o
cinema. E quando consegue encontrar se decepciona com o tamanho da fila para
comprar a pipoca. Enquanto torcemos para a fila andar mais rápido ensaiamos
como fazer o pedido e não atrasar para a seção que já começou. “Então gente
qual vai ser? ”, eu pergunto, “uma pipoca mega e três refrigerantes médios, com
pedras grandes de gelo” a Rosana responde. “Então tudo bem uma pipoca mega,
dois refrigerantes com um aicebarg cada e um suco de uva, por que eu quero
suco”, falo tentando ser engraçada, mas só quem ri é a Rayane. Juro que e
ensaiei isso durante o tempo que permaneci ali, que foram mais ou menos três
minutos. Então chegou a nossa vez e sem nem respirar eu dito os pedidos para o
atendente em uma velocidade que nem eu mesma acreditei, e ainda acrescentei
achando ser a comediante os aicebarg, ao invés de pedir pedras de gelo como uma
pessoa normal. Sem dar a menor atenção ao meu desespero ele retribui com um
sorriso largo e me diz: “temos o combo com uma pipoca grande e o refrigerante
de um litro e meio que vai sair bem mais barato”. Não tinha essa fala no meu
ensaio, era pra ser um monologo. “E ai gente, vamos pegar esse combo? ”, e foi
quando eu avistei o balde da malévola, sem pestanejar eu pergunto “ o combo vem
com o balde da malévola? ”. O atendente riu um pouco mais - com certeza me
achando uma retardada mental com problemas de ausência de infância, okay, esse problema eu acabei de inventar -
então ele responde “ esse não, o combo com o balde é um pouco mais caro e não é
recarregável”. A Rosana se propõe a decidir, como uma mãe bondosa, “ vai moço,
pelo amor de Deus, me dá esse balde ai mesmo por que eu já não ia vir aqui
recarregar nada mesmo e se essa menina não ganhar esse balde da malévola ela
vai morrer”. E foi assim que eu em um surto mental peguei o balde cheio de
pipoca e corri para a sala de cinema para assistir ‘A culpa é das estrelas’.
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