Eu não espero que você me ame sempre, ou todas as vezes que eu precisar. Não espero que passe a mão na minha cabeça e sempre diga que estou certa. Não quero que o amor que você sente seja cego.
E se te corta o coração essa situação, arde o meu em não poder reverte-la. Não é culpa sua. Nem minha. Mas também não podemos culpar a vida ou o acaso. Quem culpar? Não devemos procurar culpados, quem sabe. Talvez o que precisamos é nos perdoar. Autoperdão. Descobrir em que momento começamos a ser nossos próprios algozes. E quem sabe reencontrar o amor. Naquele sentido simples e certo. Se é que há certo e errado quando se trata de amar.
Hoje eu afirmei que seria capaz de te odiar. Será? Disseram-me que não! Que era loucura minha, "cabeça quente". O que me fez ver que amar é uma construção, enquanto ódio é decisão e treino. Ainda sim não conseguiria te odiar. São muitos anos de sacrifícios. São muitos amores e formas de amar. É muito tempo tendo trabalho e dando trabalho também. E por pior, que muitas vezes você me pareça, eu não sei quem eu seria se você não estivesse passado e estado aqui.
Eu aprendi com os teus erros, sem que eu mesma estivesse dentro deles. Sim, eu me orgulho de você. E mesmo assim, hoje, não consigo lhe dirigir uma palavra se quer. Mesmo estando cara a cara, enquanto você força um diálogo. Eu te amo o suficiente para não lhe oferecer palavras grosseiras, ou te ofertar expressões ofensivas.
Na verdade, eu te respeito. E contínuo inerte. Como se eu fosse parte dos móveis dessa casa. Parece que a cada dia você aceita essa realidade e hora ou outra me orna e me higieniza. Como deve ser feito. Já te falei que a culpa não é sua; para de chorar. Seca suas lágrimas. O amor não acabou. Só não sabemos mais prosseguir com ele. Ou só com ele. Claro, se você acredita que o amor é protagonista. Mas até protagonista precisa de antagonista e coadjuvantes.
Deixa o tempo ajeitar, como sempre fez. Se não reaprendermos a nos amar, outro amor surgirá. Pode não ser esse o lugar, mas seja aonde for o amor vai chegar. Como diz os otimistas: Basta acreditar!


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