terça-feira, 8 de março de 2016

Feliz dia da (CONSCIENTIZAÇÃO DA) mulher!


 




Feliz dia! E o mundo se cobre de rosas. Rosas, Marias, Martas... Dia feliz! Vamos comemorar. Brindemos as injustiças, os crimes impunes, suas culpas sempre absolutas. E quem luta? Sempre taxada, humilhada. Guerreiras! Tripla jornada. Mãe, pai, pãe. Mas a culpa foi sua, não soube segurar o marido. Parabéns, vamos comemorar isso também. Vamos festejar pelo assédio no trabalho, onde você tem que aceitar ser subestimada por ser o tão temido “sexo frágil”. Mesma jornada, mesma formação – ou até melhor – mas o salário.... Que salário? Agradeça a sorte de estar nessa empresa! E não se canse, em casa tem mais. Mas não muito, afinal, a máquina que lava a roupa, não você (tente não colocar a roupa dento dela, para ver só uma coisa). As crianças vão brigar. E a culpa é sua, você também não é uma boa mãe. E você que engravidou cedo, também não teve uma boa mãe. Talvez porque ela te deixou sair de roupas curtas demais enquanto os “bezerros” dos amigos de seu pai estavam soltos. Pobres meninos, caíram na lábia daquela moça. Aquela que só usa batom vermelho. Aquela do esmalte vermelho e maquiagem forte. Aquela que acompanha amigos ao bar e se diverte e só chega ao amanhecer. Aquela moça que apesar de ter sido bem educada pelo pai, a mãe não soube segurar em casa enquanto o pai “fazia o sustento”. Essa mesma moça que assistia todos os dias um show de agressões a sua mãe, feitas pelo seu pai, aquele homem tão zeloso. Entre chutes, tapas e xingos, essa moça não casou. Ela é autossuficiente, independente. Às vezes namora. Mas com certeza é “sapatão”. Onde já se viu uma mulher não precisar de um homem para viver? E o que fazer com essas lésbicas, com certeza deve ser “falta” de homem. Só pode ser isso. Se não for isso, porque elas precisam tanto querer ser um? Esqueçam que são mulheres, acabem com elas, para elas não cabe o titulo de “sexo frágil”, são aberrações e estão unidas com aquelas militantes malucas, as feministas... O problema dessas é o sexo, certamente nunca transarão. E com tantas soluções “socialmente corretas”, eu nos proponho a comemorar com sorriso largo e banalidade no peito: Feliz dia da mulher, para todas aquelas que sofrem agressões do companheiro porque gosta, afinal, se não gostasse não estaria com ele. Feliz dia da mulher, para você que vive ainda a ilusão de que há igualdade de gênero e que somos, todas, de fato respeitadas. Parabéns mulher, pelo seu dia! Brancas, negras, amarelas, asiáticas, latinas. Que reaprendamos a lutar todos os dias por nós mesmas. E obrigada aquelas que nos fizeram um pouco mais livres e nos deram voz. Parabéns para essa mulheres todos os dias! 

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